Sono, o fluxo da noite

Apneia do sono e ronco: causas, sintomas e como tratar

28 de abril de 2026 · 14 min de leitura

A apneia do sono é um distúrbio caracterizado por pausas na respiração durante o sono, causadas pelo estreitamento ou obstrução das vias aéreas. Essas pausas fragmentam o sono e reduzem o oxigênio no sangue, o que leva a cansaço ao acordar e sonolência durante o dia. O ronco costuma ser o primeiro sinal percebido.

Sumário

O que é apneia do sono?

A apneia do sono é um distúrbio caracterizado por pausas na respiração durante o sono. Essas interrupções podem durar alguns segundos e acontecer várias vezes ao longo da noite, muitas vezes sem que a pessoa perceba.

Na maioria dos casos, isso ocorre porque há um estreitamento ou obstrução das vias aéreas, dificultando a passagem do ar enquanto a pessoa dorme.

Essas pausas fazem com que o organismo precise “acordar” rapidamente para retomar a respiração. Mesmo que a pessoa não perceba esses despertares, eles fragmentam o sono e impedem que ele seja realmente reparador.

Por isso, quem tem apneia do sono costuma apresentar sintomas como cansaço ao acordar, sonolência durante o dia e queda no desempenho físico e mental.

Além disso, a apneia está frequentemente associada ao ronco, que muitas vezes é o primeiro sinal percebido — geralmente por quem dorme ao lado.

A gravidade pode variar de leve a severa, e o diagnóstico correto é essencial para definir o tratamento e evitar complicações.

Ilustração comparando o fluxo de ar nas vias aéreas durante o sono: passagem normal e desobstruída ao lado de uma via aérea estreitada e obstruída na apneia do sono

O que acontece durante a apneia?

Durante a apneia do sono, ocorre uma interrupção temporária da passagem de ar pelas vias aéreas enquanto a pessoa está dormindo.

Isso acontece porque os músculos da garganta relaxam mais do que o normal, levando ao estreitamento ou até ao bloqueio completo da via aérea. Como consequência, o ar não consegue passar adequadamente — mesmo que o corpo continue tentando respirar.

Na prática, o que ocorre é:

  • A respiração diminui ou para por alguns segundos
  • O nível de oxigênio no sangue começa a cair
  • O cérebro “percebe” essa queda e ativa um microdespertar
  • A pessoa volta a respirar, muitas vezes com um som de engasgo ou suspiro

Esse ciclo pode se repetir várias vezes ao longo da noite — em casos mais graves, dezenas ou até centenas de vezes.

Mesmo que a pessoa não acorde completamente, esses microdespertares fragmentam o sono e impedem que ele atinja fases mais profundas e restauradoras.

O resultado é um sono de baixa qualidade, que não descansa o corpo nem a mente.

Com o tempo, essa repetição pode levar a sintomas como cansaço constante, sonolência diurna e até impactos na saúde cardiovascular.

Diferença entre apneia e ronco

Embora estejam relacionados, ronco e apneia do sono não são a mesma coisa.

O ronco é o som causado pela vibração dos tecidos da garganta durante a passagem do ar. Ele acontece quando há um leve estreitamento das vias aéreas, mas o ar ainda consegue passar.

Já a apneia do sono é uma condição mais séria, em que ocorre uma interrupção parcial ou total da respiração durante o sono.

De forma simples:

  • Ronco → o ar passa com dificuldade e faz barulho
  • Apneia → o ar para de passar por alguns segundos

Por que essa diferença é importante?

Nem todo mundo que ronca tem apneia. No entanto, o ronco pode ser um sinal de alerta, principalmente quando é:

  • Alto e frequente
  • Acompanhado de pausas na respiração
  • Associado a cansaço ao acordar
  • Percebido por quem dorme ao lado como irregular ou com “engasgos”

Nesses casos, existe maior chance de estar relacionado à apneia do sono.

O ponto principal

O ronco isolado pode ser apenas um incômodo. A apneia, por outro lado, é uma condição que pode afetar a saúde e deve ser investigada.

Por isso, identificar essa diferença é essencial para buscar o tratamento adequado no momento certo.

O que causa ronco e apneia?

O ronco e a apneia do sono estão relacionados principalmente ao estreitamento das vias aéreas durante o sono. Quando o ar encontra dificuldade para passar pela garganta, surgem vibrações (ronco) ou até interrupções da respiração (apneia).

Esse processo pode acontecer por diferentes motivos, que muitas vezes estão associados entre si.

Relaxamento das vias aéreas durante o sono

Durante o sono, é normal que os músculos do corpo relaxem — incluindo os da garganta.

Em algumas pessoas, esse relaxamento é mais acentuado, fazendo com que a via aérea fique mais estreita. Isso dificulta a passagem do ar e pode causar:

  • Vibração dos tecidos (ronco)
  • Redução do fluxo de ar
  • Bloqueio parcial ou total da respiração (apneia)

Quanto maior o estreitamento, maior a chance de evolução de um ronco simples para apneia do sono.

Fatores de risco (peso, anatomia, idade)

Além do relaxamento natural, alguns fatores aumentam o risco de ronco e apneia:

  • Excesso de peso: o acúmulo de gordura na região do pescoço pode comprimir as vias aéreas
  • Alterações anatômicas: como desvio de septo, amígdalas aumentadas ou língua volumosa
  • Envelhecimento: com o tempo, há maior flacidez dos tecidos
  • Consumo de álcool à noite: intensifica o relaxamento muscular
  • Uso de sedativos: também pode agravar o quadro

Na maioria dos casos, o problema não é causado por um único fator, mas por uma combinação deles.

Identificar essas causas é fundamental para indicar o tratamento mais adequado e evitar a progressão da doença.

Quais são os sintomas da apneia do sono?

Os sintomas da apneia do sono podem acontecer tanto durante a noite quanto ao longo do dia. Muitas vezes, quem percebe primeiro é a pessoa que dorme ao lado, principalmente por causa do ronco e das pausas na respiração.

Os sinais mais comuns incluem:

  • Ronco alto e frequente
  • Pausas na respiração durante o sono, geralmente percebidas por outra pessoa
  • Engasgos ou sensação de sufocamento à noite
  • Sono agitado ou fragmentado
  • Cansaço ao acordar, mesmo após uma noite inteira de sono
  • Sonolência durante o dia
  • Dificuldade de concentração e memória
  • Dor de cabeça ao acordar
  • Irritabilidade ou alteração de humor

Um ponto importante é que muitas pessoas com apneia acreditam que “dormem bem”, mas na verdade o sono não é profundo nem reparador.

Além disso, o ronco constante associado a esses sintomas é um sinal de alerta importante e não deve ser ignorado.

Se esses sinais estão presentes, especialmente em conjunto, é fundamental investigar — já que a apneia pode impactar não apenas o sono, mas a saúde como um todo.

Por que o ronco pode ser um sinal de alerta?

Muitas pessoas encaram o ronco como algo normal ou apenas um incômodo para quem dorme ao lado. No entanto, em alguns casos, ele pode ser um sinal de alerta para a apneia do sono.

O ronco acontece quando há dificuldade na passagem do ar pelas vias aéreas, causando vibração dos tecidos da garganta. Quando esse estreitamento é leve, o ronco pode ser isolado. Mas quando é mais intenso, pode evoluir para interrupções da respiração — caracterizando a apneia.

Por isso, é importante observar alguns sinais que indicam que o ronco merece investigação:

  • Ronco alto e frequente, quase todas as noites
  • Presença de pausas na respiração durante o sono
  • Sons de engasgo ou sufocamento enquanto dorme
  • Cansaço ao acordar, mesmo após várias horas de sono
  • Sonolência durante o dia

Nesses casos, o ronco deixa de ser apenas um incômodo e passa a ser um indicativo de que algo não está funcionando bem durante o sono.

Além disso, o ronco associado à apneia pode trazer consequências a longo prazo, afetando a disposição, o desempenho no trabalho e até a saúde cardiovascular.

Por isso, ignorar o ronco não é a melhor opção — principalmente quando ele vem acompanhado de outros sintomas.

Apneia do sono é perigosa?

Sim, a apneia do sono pode ser perigosa — principalmente quando não é diagnosticada e tratada corretamente.

O principal problema é que, durante a noite, ocorrem quedas repetidas nos níveis de oxigênio e múltiplos microdespertares. Esse processo sobrecarrega o organismo e impede um sono realmente reparador.

Com o tempo, isso pode trazer consequências importantes para a saúde, como:

  • Cansaço crônico e queda de desempenho no dia a dia
  • Dificuldade de concentração e memória
  • Aumento do risco de pressão alta
  • Maior risco de doenças cardiovasculares
  • Alterações no humor, como irritabilidade e ansiedade

Além disso, a sonolência excessiva durante o dia pode aumentar o risco de acidentes, especialmente ao dirigir ou operar máquinas.

Outro ponto importante é que muitas pessoas não percebem a gravidade do problema, já que os episódios acontecem durante o sono. Por isso, o ronco associado a pausas na respiração deve sempre ser valorizado como um sinal de alerta.

O lado positivo

Apesar dos riscos, a apneia do sono tem diagnóstico e tratamento eficazes.

Quando tratada corretamente, é possível melhorar significativamente a qualidade do sono, a disposição e reduzir os riscos à saúde.

Como é feito o diagnóstico da apneia do sono?

O diagnóstico da apneia do sono envolve a combinação de uma avaliação clínica detalhada com exames específicos. O objetivo é confirmar a presença das pausas na respiração, entender a gravidade do quadro e definir o melhor tratamento.

Avaliação clínica

A consulta começa com uma conversa sobre os sintomas, como ronco, pausas na respiração, cansaço ao acordar e sonolência durante o dia.

Além disso, o médico avalia fatores de risco e examina as vias aéreas, observando possíveis alterações anatômicas que possam contribuir para a obstrução, como desvio de septo, amígdalas aumentadas ou outras características da região da garganta.

Essa etapa já levanta uma forte suspeita diagnóstica.

Exame de polissonografia

Para confirmar o diagnóstico, o principal exame é a polissonografia.

Esse exame monitora o sono durante uma noite e registra diversos parâmetros, como:

  • Fluxo de ar
  • Níveis de oxigênio no sangue
  • Frequência respiratória
  • Batimentos cardíacos
  • Movimentos do corpo

Com esses dados, é possível identificar quantas vezes a respiração para ou diminui durante a noite e classificar a apneia como leve, moderada ou grave.

A polissonografia pode ser feita em laboratório do sono ou, em alguns casos, de forma domiciliar.

Com o diagnóstico correto, o tratamento pode ser direcionado de forma precisa, aumentando as chances de melhora significativa dos sintomas e da qualidade de vida.

Paciente dormindo durante exame de polissonografia, com sensores fixados na testa e no rosto e um oxímetro no dedo para monitorar o sono

Como tratar apneia do sono e ronco?

O tratamento da apneia do sono e do ronco depende da causa, da gravidade do quadro e das características de cada paciente. O objetivo é sempre melhorar a passagem de ar durante o sono e garantir um descanso realmente reparador.

De forma geral, existem três principais abordagens:

Mudanças de hábitos

Em casos leves ou como parte do tratamento, algumas mudanças podem trazer melhora significativa:

  • Perda de peso, quando necessário
  • Evitar álcool à noite, que aumenta o relaxamento da garganta
  • Dormir de lado, reduzindo a obstrução das vias aéreas
  • Manter rotina de sono regular

Essas medidas são simples, mas podem ter grande impacto, principalmente no ronco.

Uso de CPAP

O CPAP (um aparelho que libera ar com pressão contínua) é um dos tratamentos mais eficazes para apneia do sono moderada a grave.

Ele funciona mantendo as vias aéreas abertas durante o sono, evitando as pausas na respiração.

Os principais benefícios incluem:

  • Redução ou eliminação das apneias
  • Melhora do ronco
  • Sono mais profundo e reparador
  • Aumento da disposição durante o dia

Apesar de exigir adaptação, é um tratamento muito eficaz quando bem indicado.

Tratamentos cirúrgicos

Em alguns casos, principalmente quando há alterações anatômicas, a cirurgia pode ser indicada.

O objetivo é corrigir obstruções e facilitar a passagem do ar. Entre as possibilidades estão:

  • Correção de desvio de septo
  • Redução de amígdalas aumentadas
  • Procedimentos para melhorar o espaço das vias aéreas

A cirurgia é geralmente indicada quando outras opções não foram suficientes ou quando há uma causa estrutural bem definida.

O mais importante é que o tratamento seja individualizado. Cada caso de apneia e ronco tem suas particularidades, e a avaliação especializada é fundamental para escolher a melhor abordagem.

Quando a cirurgia para ronco e apneia é indicada?

A cirurgia para ronco e apneia do sono não é a primeira opção na maioria dos casos, mas pode ser indicada quando existe uma causa estrutural clara ou quando outros tratamentos não trouxeram o resultado esperado.

De forma geral, a cirurgia é considerada quando:

  • obstrução anatômica das vias aéreas, como desvio de septo, amígdalas aumentadas ou excesso de tecido na garganta
  • O paciente não se adapta ao uso do CPAP
  • Os sintomas são moderados a graves e impactam a qualidade de vida
  • ronco intenso associado à apneia confirmada
  • Outros tratamentos não foram suficientes

O objetivo da cirurgia é aumentar o espaço para a passagem do ar, reduzindo a obstrução que causa o ronco e as pausas na respiração.

Tipos de cirurgia

O tipo de procedimento varia de acordo com a causa do problema. Pode incluir:

  • Correção do desvio de septo
  • Redução das amígdalas
  • Cirurgias na região do palato (céu da boca)
  • Combinação de técnicas para melhorar toda a via aérea

Um ponto importante

A indicação cirúrgica deve ser sempre individualizada. Nem todo paciente com apneia ou ronco é candidato à cirurgia, e a decisão depende de uma avaliação detalhada.

Quando bem indicada, a cirurgia pode trazer melhora significativa na respiração durante o sono, redução do ronco e melhor qualidade de vida.

Ilustração da uvulopalatofaringoplastia (cirurgia UPPP), mostrando palato duro, palato mole, úvula e amígdalas antes e depois da cirurgia

Ronco tem cura?

A resposta é: na maioria dos casos, o ronco tem solução — e muitas vezes pode ser resolvido completamente. Mas isso depende da causa.

O ronco não é uma doença única, e sim um sintoma. Por isso, o primeiro passo é entender por que ele está acontecendo.

Quando o ronco pode ser resolvido

O ronco pode desaparecer quando a causa é identificada e tratada corretamente, como por exemplo:

  • Obstruções no nariz, como desvio de septo
  • Aumento das amígdalas
  • Excesso de peso
  • Hábitos que favorecem o ronco, como álcool à noite

Nesses casos, o tratamento direcionado pode levar à melhora significativa ou até à eliminação do ronco.

Quando o ronco precisa de controle

Em algumas situações, o ronco está associado à apneia do sono. Nesses casos, o foco não é apenas eliminar o som, mas tratar a causa da obstrução respiratória.

Com o tratamento adequado (como CPAP ou cirurgia, quando indicado), o ronco tende a melhorar junto com a apneia.

O mais importante

Roncar não deve ser encarado como algo normal, principalmente quando é frequente ou intenso.

Além do impacto social, o ronco pode ser um sinal de que a respiração durante o sono não está adequada.

Com avaliação especializada, é possível identificar a causa e definir o melhor tratamento — muitas vezes com resultados bastante satisfatórios.

Apneia do sono e ronco: durma melhor e viva melhor

Dormir bem não é apenas uma questão de conforto — é fundamental para a sua saúde, disposição e qualidade de vida. A apneia do sono e o ronco podem parecer problemas comuns, mas quando não são tratados, impactam diretamente o seu dia a dia e podem trazer consequências a longo prazo.

Cansaço constante, dificuldade de concentração, sono não reparador e até riscos à saúde não precisam fazer parte da sua rotina.

A boa notícia é que existem tratamentos eficazes e individualizados, capazes de melhorar significativamente a qualidade do sono e devolver mais energia para suas atividades.

Se você ou alguém próximo percebe ronco frequente, pausas na respiração ou sintomas relacionados, uma avaliação especializada pode fazer toda a diferença.

Agendar uma consulta é o primeiro passo para entender o seu caso com clareza e encontrar a melhor solução para dormir melhor e viver com mais qualidade.

Qual médico trata os roncos e apneia?

Sou o Dr. Arthur Nunes, médico otorrinolaringologista, com formação de excelência na Universidade Federal da Paraíba e especialização no Hospital Edmundo Vasconcelos.

Meu propósito é fazer você viver com mais qualidade de vida.

No meu consultório, você receberá toda a atenção que necessita para avaliar e tratar da melhor forma o seu sono, para que você possa descansar adequadamente e se sentir energizado no seu dia a dia e sem o incômodo dos roncos.

Dr. Arthur Nunes, otorrinolaringologista

Dr. Arthur Nunes

Dr. Arthur Nunes

Otorrinolaringologista · CRM-SP 240327

Revisado por Dr. Arthur Nunes em 18 de junho de 2026

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